
Sim. A Igreja passará pela grande tribulação. E não haverá arrebatamento secreto.
Essa afirmação soa ofensiva para muitos, desconfortável para outros e até herética aos ouvidos de quem foi alimentado por um evangelho que promete escape, conforto e ausência de sofrimento.
Mas a Bíblia nunca prometeu isso. Pelo contrário: ela afirma repetidas vezes que o caminho do cristão passa por tribulação, perseverança e provaçoes — inclusive nos últimos dias.
É verdade que existem diferentes campos de visão escatológica, interpretações e escolas teológicas sobre esse tema. Mas este estudo não tem a pretensão de impor uma verdade absoluta, nem de invalidar outros conceitos. Você é livre para discordar, refletir e tirar suas próprias conclusões.
O que será apresentado aqui não é uma opinião pessoal, mas uma exposição bíblica — comparando texto com texto, contexto com contexto.
Neste estudo bíblico, vou mostrar por que afirmo, à luz da Palavra, que o cristão passará pela grande tribulação — e por que o próprio Jesus deixa isso claro, ainda que muitos não tenham percebido.
A verdade sempre esteve diante de nós, explícita, direta, sem códigos secretos. O problema é que, muitas vezes, tentamos enxergar promessas onde não existem e acabamos cegos para aquilo que está escrito.
A Bíblia é um livro espiritual, profundo e cheio de mistérios, que só pode ser interpretado espiritualmente. Mas aqui, o véu será rasgado e as dúvidas confrontadas pela própria Palavra.
Pontos de atenção!
Antes de entrar no estudo propriamente dito, é fundamental alinhar dois pontos que quase sempre são ignorados — e é justamente aí que surge a confusão.
1. Existem diferentes interpretações escatológicas
A Bíblia é clara, mas a leitura humana nem sempre é. Ao longo da história, surgiram algumas linhas principais de interpretação sobre os últimos tempos:
- Pré-tribulacionismo: defende que a Igreja será arrebatada antes da grande tribulação, sendo poupada de todo sofrimento final. É a visão mais popular hoje, mas também a mais recente historicamente.
- Meso-tribulacionismo: entende que a Igreja passa pela primeira metade da tribulação e é arrebatada no meio do período.
- Pós-tribulacionismo: afirma que a Igreja atravessa a grande tribulação e é arrebatada na vinda visível de Cristo.
- Amilenismo: interpreta os eventos de forma simbólica, entendendo que o “milênio” não é literal e que muitas profecias já se cumprem espiritualmente.
Cada uma dessas visões tenta organizar os textos proféticos. O nosso problema não é estudar, é ignorar textos claros para defender um sistema teológico.
2. Não existe arrebatamento secreto
A Bíblia não apresenta dois retornos de Jesus. Ela apresenta uma única vinda, pública, visível e gloriosa. Essa vinda é o eixo que divide os acontecimentos.
Antes da vinda de Cristo, a Escritura fala de:
- Princípio das dores
- Perseguição aos santos
- Grande tribulação
Depois da vinda de Cristo, a Bíblia fala de:
- Juízo de Deus
- Ira derramada
- Julgamento final
É aqui que muitos se confundem. A Bíblia nunca diz que o cristão será poupado da tribulação. Ela diz que o cristão será poupado da ira de Deus. E tribulação não é ira — tribulação é prova, refinamento, perseverança.
A vinda de Cristo acontece para retirar os seus antes do juízo, não antes da tribulação.
Durante a grande tribulação, o cristão estará presente — mas tudo isso tem um propósito. E o motivo ficará claro no decorrer deste estudo, quando a própria Escritura explicar por que a Igreja passa pela prova antes da glória.
O Sermão Escatológico de Jesus sobre os últimos dias
Para entendermos e chegarmos ao pleno conhecimento de que a Igreja passará pela grande tribulação, precisamos estudar o sermão escatológico de Jesus onde ele fala sobre os acontecimentos dos últimos dias e sua vinda a terra.
O sermão escatológico de Jesus está registrado no livro de Mateus capítulos 24 e 25. E este sermão está dividido em 4 fases, e cada uma dessas fases, Jesus explica de forma clara e evidênte o que vai acontecer em cada uma delas.
E essas 4 fases são:
- Princípios das dores (Mateus 24:3-14)
- A grande tribulação (Mateus 24:15-28)
- A vinda do Filho do Homem (Mateus 24:29-51 e 25:1-30)
- O julgamento ou Juízo (Mateus 25:31-46)
Quando os discípulos perguntam a Jesus sobre os sinais da sua vinda e sobre o fim do mundo, Jesus começa o sermão e Ele categoriza ele nessas 4 etapas. O problema que nos impede de interpretá-lo da forma correta, é porque lemos o Capítulos 24 como um bloco único, sendo que Jesus o dividiu em 4 etapas.
Ele não mistura os eventos, e você vai entender cada um deles em detalhes.
1. O Princípio das Dores
O princípio das dores, é a primeira fase do sermão escatológico de Jesus, que está registrado em Mateus 24:3-14.
E Jesus já começa o sermão com um alerta claro: “Vede que ninguém vos engane” (v.4).
Isso já joga por terra a ideia de que existe um povo a ser poupado de tudo. A primeira preocupação de Jesus aqui não é livrar a igreja, mas alertá-los para a vigilância com relação a enganação que está por vir (que no caso já está acontece).
Concorda que não faz sentido sermos alertados a vigilânca sobre algo que vamos ser poupados? Só o fato de termos a necessidade de vigiar, já comprova que estaremos aqui durante as provações.
Mas Jesus continua descrevendo o que chama de princípio das dores — expressão usada para dores de parto. Dor que não mata, mas anuncia que algo maior está vindo. Jesus começa a dar uma lista desses acontecimentos que irão acontecer antes da segunda fase:
- Falsos cristos e falsos profetas
- Guerras e rumores de guerras
- Nação contra nação
- Fomes, pestes e terremotos
Estes são sinais de que estamos vivendo o princípio das dores, o começo de todas as coisas. E quanto mais intenso fica as dores de parto, mais próximo ficamos da segunda fase.
Jesus diz claramente isso no versículo 6: “Mas ainda não é o fim”.
E no versículo 8, Ele confirma: ”Tudo isto é o princípio das dores.”
Ou seja, isso (ainda) não é a grande tribulação. É o início do processo. É o começo das dores de parto, os primeiros sinais da sua vinda.
Mas Jesus continua o sermão, e o que parece ser ruim, vai ficando cada vez pior.
‘’Então, eles os entregarão para serem perseguidos e condenados à morte, e vocês serão odiados por todas as nações por causa do meu nome. Naquele tempo, muitos me abandonarão; trairão e odiarão uns aos outros; e numerosos falsos profetas surgirão e enganarão a muitos. Por causa do aumento da iniquidade, o amor de muitos esfriará, mas aquele que perseverar até o fim será salvo.’’
Mateus 24:9-13
Consegue perceber que as tribulações são necessárias para a vida do cristão? Aqui cai outra ilusão moderna de que a perseguição é sinal de erro ou pecado. Mas sim um sinal de alinhamento com Cristo. Quanto mais alinhado a Jesus você está, mais perseguido você será.
Nesta fase do princípio das dores, é onde tudo começa: amor esfriará, a fé será provada, e então vem uma das frases mais ignoradas de todo o sermão: “Mas aquele que perseverar até o fim, esse será salvo” (v.13).
Observer bem: Aquele que perseverar até o fim, esse será salvo.
Percebe que, não faz sentido a igreja ser arrebatada antes? Porque senão não faz sentido esse versículo. Nós vamos perseverar em quê? Pra quê? Concorda?
É necessário passarmos por alguma coisa para que então a nossa perseverança seja ativada.
Aí Jesus encerra essa primeira fase do sermão dizendo: “E então virá o fim” (v.14).
Perceba a ordem: Princípio das dores → perseverança → então virá o fim.
Não há arrebatamento aqui. Há processo. Jesus está nos ensinando que, quando essas coisas acontecerem, significa que estamos perto do fim. Aqui é somente as dores de parto.
Mas logo em seguida vem a fase dois, que é a grande tribulação.
2. A Grande Tribulação
Aqui Jesus muda o tom. Não é mais um aviso. É algo sem precedentes. Ele começa com um marcador temporal fortíssimo: “Quando, pois, virdes o abominável da desolação…” (v.15).
Esse “quando” indica transição. Algo novo começa aqui.
No verso 21, Jesus define: “Porque haverá então grande tribulação, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá.”
Isso separa completamente o princípio das dores da grande tribulação. São eventos distintos.
Perceba que a grande tribulação ainda não aconteceu. Mas ela vai. É algo que só vai acontecer uma única vez. Então, não se pode dizer que as guerras e rumores de guerras, fome, terremotos e etc fazem parte da grande tribulação, porque desde que o mundo é mundo, existem guerras, pestes, fome, terremotos e por aí vai.
Isso aconteceu várias vezes, e o que Jesus descreve como a grande tribulação é um evento único que nunca aconteceu, e nunca acontecerá outro parecido com este.
Então quando Jesus diz ”quando virdes o abominável da desolação”, Ele está dizendo se referindo a esse evento específico. Ou seja, quando você ver essa ”pessoa” (que pode ser o anticristo a referência), se assentar no lugar Santo, é aí que vai começar a grande tribulação. E até o momento, esse abominável da desolação, ainda não apareceu.
Então perceba que aqui não é dor de parto. Aqui já é o parto, propriamente dito. O cerco está começando a apertar. Nós já estamos numa transição do meio para o fundo do funil.
Outro versículo-chave que desmonta que a teologia da fuga antecipada não existe é: “E, se aqueles dias não fossem abreviados, ninguém se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias” (v.22).
E aí vem a pergunta: Se os escolhidos não estão aqui (foram arrebatados), por que os dias seriam abreviados por causa deles?
Jesus não diz “por causa de Israel”. Ele diz por causa dos escolhidos.
Essa tribulação envolve engano intenso, falsos sinais, falsos cristos, tentativa de enganar até os eleitos. Isso só faz sentido se os eleitos estiverem presentes.
Essa fase termina com uma afirmação fortíssima de que o foco não é escapar, mas de discernir e permanecer. É nesse momento que os cristão verdadeiros irão se manifestar. É como se o próprio Deus estivesse provando cada um que se diz ser crente, para que neste momento, os falsos sejam desmascarados e a verdadeira igreja seja vista por Ele.
Só depois disso acontece o famoso arrebatamento, a fase 3, o vinda de Jesus sobre as núvens.
3. A Vinda de Jesus
Findando o capítulo 24 do livro de Mateus, logo ali nos versículos de 29 a 31, Jesus está dizendo sobre a sua vinda e como será.
E é exatamente nesse ponto específico do sermão escatológico que Jesus confirma que a igreja passará pela grande tribulação. Ele diz: “E logo depois da tribulação daqueles dias…” (v.29).
Observeque que não é antes, nem no meio, é depois da grande tribulação. Ou seja, a igreja vai passar pela grande tribulação.
A sequência aqui não deixa dúvidas de que a igreja passará pela grande tribulação:
- Sinais nos céus
- O Filho do Homem aparecendo nas nuvens
- Trombeta
- Ajuntamento dos eleitos
Isso é arrebatamento? Sim. Mas não é secreto. É visíve e audível.
E esse ponto sobre a vinda de D’Ele é tão importante, que em seguida, Jesus conta diversas parábolas para exemplificar como será a sua volta, e para reforçar a nossa vigilância, fidelidade e preparo.
Em Mateus 24:32-51 e 25:1-30, Jesus conta as parábolas.
A parábola das 10 virgens, por exemplo, é para nos ensinar sobre preparação, vigilância e o como devemos estar prontos para receber o noivo, ou seja, Cristo. Já na parábola dos talentos, Jesus nos ensina sobre responsabilidade e de que nós, como igreja, devemos esperar o noivo servindo e multiplicando o talento que Ele nos deu, até que Ele volte.
A parábola da figueira, Jesus nos ensina sobre vigilância, reforçando a ideia de estarmos sempre atentos aos sinais de que Ele citou que aconteceriam no princípio das dores. E a parábola do servo bom e do mau é para nos ensinar como Jesus quer nos encontrar quando voltar. Ele quer nos encontrar cuidando bem uns dos outros e dos bens preciosos que Ele colocou em nossas mãos, como por exemplo, a nossa familia, os dons espirituais, nosso trabalho, nossas habilidades, e por aí vai.
Mas o ponto principal do sermão aqui é: nenhuma dessas parábolas fala de arrebatamento ou de que a igreja será poupada da grande tribulação. Todas elas falam de esperar fielmente até que Ele volte.
Após isso, Jesus encerra o sermão falando sobre o julgamento, que é a fase 4.
4. O Julgamento (ou Juízo)
Finalmente o fim. Mateus 25:31-46 Jesus está dizendo o que Ele fará depois da sua vinda. Agora, sim, entramos em outro ambiente.
”Quando o Filho do homem vier na sua glória, com todos os anjos, ele se assentará no seu glorioso trono. Todas as nações serão reunidas diante dele, e ele separará umas das outras como o pastor separa as ovelhas dos bodes. Ele colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda.”
Mateus 25:31-33
Aqui Jesus estará fazendo a separação dos bodes das ovelhas. E olha só que consciências da vida, as ovelhas serão colocadas à direita. O que isso significa? Significa que é o lado da justiça. Enquanto à esqueda significa castigo eterno.
Aqui se encerra o sermão escatológico de Jesus. As nações são reunidas. O juízo acontece. E então vem a separação definitiva entre justos e ímpios.
Este não é mai o momento da Igreja ser provada. É o momento do mundo ser julgado. Aqui vemos claramente que o cristão não será poupado da grande tribulação, mas da ira vindoura.
Além disso, está escrito que a Igreja vai julgar a terra junto com Cristo. Logo, não estaremos sofrendo a ira de Deus.
O Erro da Interpretação: “Mas esse sermão é só para Israel”
Um dos argumentos mais usados para negar que a Igreja passará pela grande tribulação é dizer que o sermão escatológico de Jesus, em Mateus 24 e 25, foi dirigido apenas aos judeus ou somente a Israel. Essa leitura cria uma divisão que o próprio texto bíblico não sustenta.
Jesus estava falando com judeus? Sim. Mas Ele estava formando discípulos, não delimitando um público étnico. Ele não está falando de um povo geográfico, mas de um povo espiritual: aqueles que creriam n’Ele.
Se Mateus 24 fosse apenas para Israel, então:
- A perseverança até o fim não se aplicaria à Igreja
- A vigilância não seria necessária para o cristão
- As parábolas não teriam aplicação hoje
O que é claramente absurdo, porque toda a Igreja sempre leu esses textos como exortação direta à fé cristã.
O erro nasce quando se tenta encaixar a Bíblia em um sistema teológico prévio, em vez de permitir que a própria Escritura se explique.
E a própria Bíblia se explica.
A confirmação mais clara de que a Igreja passa pela grande tribulação está no livro do Apocalipse, capítulo 7.
João descreve dois grupos distintos:
- Os 144 mil selados das tribos de Israel (Ap 7:1-8)
- Uma grande multidão que ninguém podia contar (Ap 7:9)
O texto faz questão de separar os grupos. Primeiro Israel. Depois, algo maior, global, impossível de numerar.
João diz:
“Depois destas coisas, olhei, e eis aqui uma grande multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, que estavam diante do trono e perante o Cordeiro”
Apocalipse 7:9
Aqui o texto bíblico não se refere à Israel, mas a igreja, as nações, povos e línguas de todas as partes do mundo. Exatamente como Jesus disse em Mateus 24:9: “sereis odiados por todas as nações por causa do meu nome”.
Ou seja, um povo espiritual, a igreja santa e verdadeira. Não se trata do espaço geográfico, das placas de demonimação, mas de pessoas que de fato se converteram. O seremos odiados por todas as nações significa que nós somos um povo que não é dessa terra, e a terra nos odiará. Por quê? Porque nos levantamos contra o sistema.
“Quem são estes?” – A pergunta que quebra o mito
Em Apocalipse 7:13, um dos anciãos faz a pergunta que resolve toda a discussão:“Estes que estão vestidos de vestes brancas, quem são e de onde vieram?”
Então João, com toda a sua humildade diz: Eu não sei, tu o sabes.
E então vem a resposta: “Estes são os que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro” (Apocalipse 7:14)
Aqui não há margem para interpretação criativa. O texto diz claramente que o povo (igreja) vieram da grande tribulação. Não foi antes, nem durante, foi após. Exatamente como Jesus havia dito: “Aquele que perseverar até o fim será salvo”.
Por que Deus permite a Igreja passar pela Grande Tribulação?
A pergunta é inevitável: se Deus nos ama, por que Ele permitiria que a Igreja passasse pela grande tribulação? Por que Jesus não simplesmente poupa os seus?
A Bíblia responde essa pergunta de forma clara, embora desconfortável: porque o cristianismo nunca foi sobre escapar do sofrimento, mas sobre ser transformado por ele.
Desde o Gênesis até o Apocalipse, Deus não forma homens no conforto, mas no fogo. E a tribulação sempre foi o instrumento divino para provar, purificar e aprovar.
Observe alguns exemplos:
A tribulação é para nos forjar
Paulo descreve em sua carta ao tessalonissences que as tribulações são destinadas aos cristão, e que isso não deveria ser uma surpresa para nós. Veja:
“Para que ninguém se inquiete com estas tribulações; porque vós mesmos sabeis que para isto fomos destinados”
1 Tessalonicenses 3:3
Mas ele continua:
“Quando ainda estávamos convosco, vos predizíamos que havíamos de passar por tribulações, como de fato aconteceu.”
1 Tessalonicenses 3:4
O que Paulo está dizendo aqui é: eu preguei as boans novas a vocês, mostrei o caminho da esperança, mas nunca escondi de vocês que o caminho de quem decide seguir ao evangelho é árduo e cheio de tribulações. Eu avisei vocês, então não fiquem surpresos. A tribulação que vocês estão passando é o destino do cristão.
Mas isso tem um propósito. Deus nos forja o caráter de Cristo através das tribulações. Não existe crescimento espiritual no conforto, é necessário passar por provações. Até Jesus foi tentado antes de cumprir sua missão.
É necessário passar por tribulações para entrar no Reino
Em Atos, Paulo reforça isso as igrejas. E ele é mais efático, quebrando toda a crença de que viver com Cristo é paz e amor. Ele afirma que, para entrar no Reino de Deus, é necessário passar por muitas tribulações.
“E, tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, e Icônio, e Antioquia, confirmando o ânimo dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé, pois que por muitas tribulações nos importa entrar no Reino de Deus.’’
Atos 14:21-22
Mas não acaba por aqui.
Sofrer com Cristo é parte da herança cristã
Em sua carta aos Romanos, Paulo exorta a igreja dizendo que se com Ele ”sofremos”, também com Ele seremos ”glorificados.”
“E, se somos filhos, somos herdeiros — herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo, se com ele sofremos, para que também com ele sejamos glorificados.”
Romanos 8:17
Note a condição: se com Ele padecemos.
A glória só vem quando também participamos dos sofrimentos de Cristo. É o toma a tua cruz e me segue, lembra? Se até nós, meros mortais, não deixamos qualquer pessoa participar das nossas alegrias porque não comeram um prato de sal com a gente, quem dirá o próprio Deus. Ne?
A tribulação revela se nossa fé é real
Mas não é só Paulo que fala isso, Pedro também quando escreve a sua carta. E aqui, vemos claramente que ele escreveu uma carta para uma igreja que estava sendo perseguida.
“Amados, não estranheis o fogo ardente que surge entre vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo;’’
1 Pedro 4:12
Observe novamente a palavra ”destinados” e ”prova”. Elas estão na mesma frase. E Pedro ainda diz mais, ele diz que isso não deveria ser considerado como algo extraordinário, porque é o nosso destino passar por tribulações e provações.
Por isso ele afirma em seguida:
“mas alegrai-vos, na medida em que sois participantes dos sofrimentos de Cristo.”
1 Pedro 4:13
Alegrai-vos enquanto sofrem por amor de Cristo, pois vocês estão sendo participantes do ministério Dele.
Percebe? A tribulação que o cristão passa é necessário, simboliza participação no corpo de Cristo.
Reinar com Cristo exige padecer com Ele
Paulo também reforça isso quando escreve sua carta a Timóteo.
“Se com ele morremos, com ele viveremos; se perseverarmos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará.”
2 Timóteo 2:11-12
Para conquistar o Reino dos Céus, é necessário perseverança. Já o contrário é a negação. Se negarmos, também seremos negados.
Percebe que tudo faz sentido com o que Jesus disse no sermão de Mateus 24: ”aquele que perseverar até o fim, esse será salvo”.
A Tribulação produz o que nenhuma outra coisa produz
“E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a paciência; e a paciência, a experiência; e a experiência, a esperança.’’
Romanos 5:3-4
Sem tribulação:
- não há perseverança
- não há caráter aprovado
- não há esperança sólida
Jesus já havia nos avisado sobre o passar por tribulações desde o começo: “No mundo tereis aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João 16:33).
Ele nunca disse que escapariamos ou que seríamos poupados. Mas que nós passaríamos por muitas tribulações, porém, Ele estaria conosco a todo momento atravessando o deserto conosco.
A Igreja na grande tribulação: a prova final
Aqui é uma tese minha, um conceito que eu adotei como verdade (se não quiser acreditar não acredite), porém, faz muito sentido… de que a grande tribulação é como se fosse a prova final.
Durante nosso percurso aqui na terra, somos provados e passamos por tribulações, mas nequele grande dia, a grande tribulação será a prova final. Digamos que as tribulações são como simulados (pequenas provas) que passamos durante a vida, mas a grande tribulação será com o fogo aumentado em 7 vezes.
É o momento em que:
- a fé será confrontada
- o amor esfriará em muitos
- apenas os que têm raiz permanecerão
Por isso Jesus disse:“Aquele que perseverar até o fim, esse será salvo”
A grande tribulação não existe para destruir a Igreja. Ela existe para revelar quem realmente é Igreja.
No fim, não restará aparência, religião ou discurso. Restará apenas o caráter de Cristo impresso nos que permaneceram fiéis.
O mito do arrebatamento secreto: onde está o erro?
Um dos maiores erros escatológicos do nosso tempo é a ideia de que haverá um arrebatamento secreto, invisível, silencioso, em que cristãos simplesmente “desaparecem” da Terra.
Esse conceito não é bíblico. Além disso, vai totalmente contra o que acabamos de estudar. O conceito sobre ”arrebatamento” foi distorcido pela má interpretação do texto.
Quando Jesus diz que ”virá como o ladrão”, Ele está se referindo ao tempo. Ou seja, que será repentino, quando ninguém espera.
E aqui está o problema: Confundir “o de repente” com “em segredo”.
Jesus nunca disse que viria escondido. Ele disse que viria inesperadamente. Quando Jesus afirma que virá como ladrão, Ele não está falando de sigilo, mas de imprevisibilidade.
Um ladrão não avisa o dia nem a hora. Ele não manda notificação. Ele chega quando ninguém espera. O foco do texto está no tempo, não na forma. Por isso Jesus insiste tanto em vigilância, preparo e constância.
A Bíblia é clara: todo olho verá
A Escritura afirma, sem margem para interpretação alternativa:
”Eis que ele vem entre as nuvens, e todo olho o verá, até mesmo aqueles que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão por causa dele. Assim será! Amém.”
Apocalipse 1:7
Observe que a vinda Dele será vsível (todo olho verá), até mesmo os que já morreram. Portanto, não existe arrebatamento secreto. Todo olho verá.
Paulo também fala sobre isso.
”Se cremos que Jesus morreu e ressurgiu, cremos também que Deus, por meio de Jesus, trará com ele aqueles que nele dormiram. Conforme a palavra do Senhor, dizemos a vocês que nós, os que estivermos vivos, os que ficarmos até a vinda do Senhor, certamente não precederemos os que dormem. Porque, dada a ordem, com a voz do arcanjo e o ressoar da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois, nós, os que estivermos vivos, seremos arrebatados com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares. Assim, estaremos com o Senhor para sempre. Portanto, consolem‑se uns aos outros com estas palavras.”
1 Tessalonicenses 4:14-18
Paulo, em 1 Tessalonicenses 4:14-18, descreve o arrebatamento de forma absolutamente clara:
- Os mortos em Cristo ressuscitam primeiro
- Depois, os que estiverem vivos serão transformados
- E então nos encontraremos com o Senhor nos ares
E observe os detalhes do texto:
- Há voz de arcanjo
- Há trombeta de Deus
- Há ressurreição visível
- Há manifestação gloriosa
Nada disso é silencioso. Nem é oculto. Tão pouco secreto. É um evento cósmico, glorioso, visível e inegável.
Então por que tanta gente acredita no arrebatamento secreto?
Porque é mais confortável.
Um arrebatamento secreto:
- Remove a igreja do sofrimento
- Evita confronto
- Evita perseguição
- Evita perseverança até o fim
Mas conforto nunca foi critério de verdade bíblica. A Bíblia nunca prometeu fuga. Ela prometeu a presença de Deus no meio da tribulação.
Quando Jesus diz que virá como ladrão, o recado não é “vocês vão desaparecer”.
O recado é: Estejam prontos. Perseverem. Vigiem.
Porque Ele virá:
- De forma visível
- De forma gloriosa
- Para todos verem
- Em um momento que ninguém espera
Não é segredo. É surpresa. E existe uma diferença gigantesca entre uma coisa e outra.
Conclusão do Estudo
Não resta mais dúvidas de que a Igreja passará pela grande tribulação, que não haverá arrebatamento secreto e de que temos que perseverar até o fim.
Contudo, considero que você ainda possa não acreditar 100% nessa exposição, e por isso quero deixar uma reflexão.
Mesmo que você continue de alguma forma acreditando em arrebatamento secreto e de que o cristão não passará pela grande tribulação, viva como se fosse. É melhor viver preparado do que ser pego de repente. Mesmo que o arrebatamento aconteça, viva como se não fosse acontecer.
É melhor prevenir do que remediar.
Seja vigilante e perceverante na fé.
Que Deus te abençoe!
